
Reproduzimos, em tradução para língua portuguesa, as tomadas de posição da Confederação Europeia de Sindicatos e da Confederação Sindical Internacional e Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas relativas à agressão militar contra Venezuela.
Agressão militar dos EUA contra a Venezuela: a UE deve agir para defender o direito internacional
A Confederação Europeia de Sindicatos manifesta a sua profunda preocupação com as operações militares dos EUA na Venezuela e condena essa intervenção militar dos EUA, que viola a Carta das Nações Unidas e o direito internacional.
A CES apoia a a Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA) e reitera que os trabalhadores e os cidadãos nunca devem pagar o preço da escalada geopolítica. O futuro da Venezuela deve ser decidido pelos próprios venezuelanos através de meios democráticos e pacíficos, sem interferência estrangeira e com sindicatos livres e independentes capazes de operar sem repressão.
A CES condena veementemente qualquer tentativa por parte de potências estrangeiras de exercer controlo político ou económico sobre a Venezuela, com o objetivo de garantir o acesso aos seus recursos naturais. Tais ações constituem uma grave violação do direito internacional, da Carta das Nações Unidas e do direito dos povos à autodeterminação, e inevitavelmente agravam a injustiça social, a repressão e as violações dos direitos dos trabalhadores.
A CES apela à proteção imediata dos civis e de todos os detidos, com plenas garantias de um processo justo e transparente. Exortamos todas as partes a regressarem à diplomacia e ao diálogo e reiteramos que a América Latina deve continuar a ser uma zona de paz.
O movimento sindical europeu manifesta a sua solidariedade para com os trabalhadores da Venezuela e os seus sindicatos e apoia todos os esforços para proteger os direitos, a democracia e a paz.
A CES apela à UE para que tome todas as medidas ao seu alcance para garantir que todos os intervenientes se empenhem num diálogo e numa mediação inclusivos, no pleno respeito dos direitos humanos e do direito internacional e na proteção dos cidadãos da UE.
Divulgada a 3 de janeiro de 2026. Disponível na versão original, em inglês
CSI e CSA condenam veementemente a agressão militar dos Estados Unidos e a violação da soberania da Venezuela
A Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical dos Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA) expressam a sua mais absoluta e veemente rejeição à operação militar levada a cabo na madrugada de hoje pelo governo dos Estados Unidos da América em território da República Bolivariana da Venezuela.
Diante da gravidade dos fatos, que incluem bombardeios sobre instalações em Caracas e a confirmação por parte do governo norte-americano da captura e sequestro do presidente Nicolás Maduro, o movimento sindical internacional declara:
- A condenação da intervenção militar: Denunciamos esta ação como uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e dos princípios fundamentais do Direito Internacional. O uso da força militar e a incursão no território de uma nação soberana constituem um ato de guerra inaceitável que coloca em risco a paz e a estabilidade de toda a região.
- A defesa da soberania e da autodeterminação: Em consonância com a posição histórica de defesa da autonomia dos povos e apoiando as declarações emitidas pelos governos da região que exigem o respeito irrestrito à soberania venezuelana, rejeitamos qualquer tentativa de mudança de regime pela força ou por meio de interferência estrangeira. O destino da Venezuela deve ser decidido exclusivamente pelo povo venezuelano através de mecanismos democráticos e pacíficos, sem tutela imperial.
- A exigência de garantias humanas: Somos solidários com a exigência internacional imediata de uma «prova de vida», do respeito pela integridade física e da libertação do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, bem como de qualquer outro cidadão detido nesta operação ilegal. O seu estatuto atual deve ser imediatamente divulgado à comunidade internacional.
- O apelo à Paz e ao Diálogo: Concordamos com a posição expressa pelos governos do Brasil, México e outras nações soberanas na condenação da violência e na urgência de retomar os canais diplomáticos.
A região deve continuar a ser uma Zona de Paz; não permitiremos que a América Latina seja arrastada para um conflito bélico por interesses geopolíticos alheios aos nossos povos.
«Estes atos não defendem de forma alguma a democracia, são claros atos de agressão como parte de uma agenda de política externa militarizada motivada por um interesse económico unilateral», afirmou o Secretário-Geral da CSI, Luc Triangle. «As ameaças de sequestro e o uso indevido dos tribunais para atacar um governo soberano minam o Estado de direito a nível internacional e estabelecem um precedente de coerção imperial que põe em risco a paz em todo o mundo.»
"Nós, sindicalistas das Américas, condenamos a agressão militar e o sequestro do presidente Maduro e da sua companheira Cilia Flores, uma violação da soberania e integridade do povo venezuelano e de toda a América Latina e Caribe, declarada Zona de Paz pela CELAC desde 2014. Estamos a ativar os mecanismos de solidariedade internacional com o povo e os trabalhadores da Venezuela», afirmou Rafael Freire, secretário-geral da CSA. «Defendemos a Venezuela e toda a América Latina como território de paz. Não admitimos a invasão e a violência contra os nossos povos e territórios. O movimento sindical, como sempre, está na linha da frente da defesa da soberania e da autodeterminação, da democracia e dos direitos humanos».
A CSI e a CSA continuam mobilizadas contra as ingerências imperialistas, militares ou económicas, de um país sobre outro, contra as guerras e na defesa firme da paz, da democracia e do multilateralismo.
Pela soberania, pela paz e pela autodeterminação dos povos.
Divulgado a 3 de janeiro de 2026. Disponível em castelhano